quarta-feira, 15 de outubro de 2008

De volta a 70

Ele estava sentado no sofá de sua casa, lendo os jornais do dia e assistindo TV e sua esposa estava na cozinha preparando o café da manhã.
Ele olhou bem para ela e viu como o tempo passou.
Observou que os traços de Simone não eram mais os mesmo como na década de 70, quando eles se conheceram.
Ela já estava muito marcada pelo tempo assim como ele também estava.
Não esperou o café e saiu apressado sem comunicar a sua Simone.
Ele sentiu tanta saudade do seu passado que não hesitou em pegar as chaves do carro e ir visitar o bairro em que se conheceram como numa tentativa de reviver, como se fosse possível respirar o mesmo ar da época.
O bairro não era mais o mesmo, não existia mais lá os moradores da época, nem mais os estabelecimentos, a sorveteria, a loja de doces, a padaria que ele comprava sonhos recheados, nem o barbeiro que costumava compor o visual da época, nem a loja de discos.
Mas o fato de estar lá fez com que tudo se tornasse mais fresco em sua memória, as lembranças do passado voltaram a viver.
Ele andou pelas ruas e sentiu o cheiro daquela época de um modo tão vivo que começou a enxergar a mesma áurea de antes, as pessoas, as luzes, as moças e a sua Simone.
Simone costumava sentar nas escadas da sua casa no fim da tarde, ela sempre esperava essa hora do dia para vê-lo.
Ele seria capaz de tudo por ela, passaria uma noite inteira conversando sobre qualquer bobagem que lhe viesse à mente.
Ele se lembrou da trilha sonora que embalava o seu romance. Nessa época ele havia prometido que para sempre iria cantar aquela música para ela.
Todo aquele ambiente mexeu tanto com ele que com a mesma pressa que ele saiu de casa ele voltou.
Pegou as chaves do carro no bolso e dirigiu rápido para casa, chegando lá Simone não entendeu o porquê da saída repentina de seu esposo.
Ele simplesmente abriu a porta de casa, se aproximou de Simone, enlaçou a sua cintura com o braço e com a outra mão tomou a mão dela.
Ele encostou a boca, docemente, na orelha de Simone e com os olhos cheios de lágrimas cantou a canção que tanto embalou os seus sonhos de vida.
Ela igualmente emocionada fechou os olhos e de repente parecia ter voltado a ter 18 anos.
Toda a sua sala mudou de cor e de cheiro, e eles voltaram a ser o que eram na década de 70.

Um comentário:

Frido disse...

Voltaram a ser o que não são mais... mas, até quando?