quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Uma Banalidade

Chegava a ser patológico o modo freqüente que ele trocava de mulher.
Trocava de mulher como quem trocava a marca do cigarro...
Antes de chegar ao filtro, jogava ao chão e dava aquela pisadinha.
Deixava lá mesmo, no meio da rua...
E quando batia a consciência ambiental, tinha o cuidado de colocar na lixeira ou dar descarga, se estivesse na casa de alguém.
Ele trocava de marca de cigarro como quem trocava de mulher.
Fumou de tudo, do mais barato ao mais caro, dos caseiros aos internacionais.
O certo é que ele fumava por fumar, era resistente a dependência, provavelmente alguma alergia o impedia do vício.
Os cigarros, realmente, eram para ele intragáveis.
Intragáveis como as mulheres que ele teve, eram todas diferentes e ao mesmo tempo iguais.
Diferentes porque tinham nomes diferentes e iguais porque tinham a mesma aparência.
Todas elas tinham o mesmo cabelo, a mesma cor, o mesmo sorriso, quase a mesma idade...
Mas a verdade é que ele não sabia amar.
E fumar...
Fumar já era outra história.

3 comentários:

Maria Souza disse...

Oi Amiga
Gostei do seu cantinho.
É agradável estar aqui.
Parabéns.
Bjos

Frido disse...

Fumar... aí já é outra história! Amar é mais simples do que se pensa!
Talvez o hábito de trocar é por não querer se apegar demais ao Amor que é tão fácil sentir, de tão simples que é!

Edson Carmo disse...

Existe a ação e a atividade. A ação é o que fazemos movidos por uma real necessidade – ela é condição senequanon. Já a atividade é apenas um descarregar de ansiedades, a ansiedade que pode ser acalmada até por um cafezinho. Pense bem, para que um cafezinho?

Edson Carmo