terça-feira, 14 de outubro de 2008

Uma relação sobre a paixão e a doença


Pude, certa vez, desvelar uma constatação que não me era evidente.
Na verdade não existe nada na realidade que seja evidente por si próprio, foram necessários séculos para o homem observar e constatar aquilo que muitas vezes acredita ser “evidente”, por exemplo, como as relações de causa e efeito, se amanheceu é porque a pouco era noite (no tocante aos fenômenos da natureza) ou que um machucado dói (no que se refere a sua própria natureza humana). Mas a defesa do empirismo em detrimento ao sensismo ou outras análises não é o meu objetivo nesse momento.
O fato é que no começo do curso ouvi meus colegas conversarem sobre o termo “pathos”, (um termo até engraçado por ser semalhante a palavra pato no plural, mas para quem ouviu a conversa pela metade poderia acreditar que o assunto giraria em torno dos anatídeos).
Eu fiquei curiosa para saber do que se tratava, eles me responderam que “pathos” é uma palavra de origem grega e significaria paixão, excesso, catástrofe, passividade, sofrimento e assujeitamento.
Nesse momento pensei: “Mais uma palavra para compor o meu cabedal linguístico!”
Com pouco tempo pensei: “Mas “pathos” lembra a palavra “patologia”!”
Tenho dúvidas se a minha analise foi evidente, mas não pude deixar de relacionar o que me parecia “evidente”.
Acabei sendo induzida a relacionar paixão e doença, e inevitávelmente paixão como uma doença.
Pensei: “Se estar apaixonado é estar doente, logo isso não é bom!”
Mas a questão não se trata simplesmente de um relação maniqueísta entre o bem e o mal.
A questão é como nós nos comportamos em estado de paixão. Não faço a mínima idéia de como se deve comportar, até porque é uma questão totalmente pessoal e subjetiva.
O importante é consiliar, buscar um meio termo.
É impossível não se apaixonar, não ser afetado por algo ou alguém, me desculpem aqueles que dizem que nunca se apaixonaram, mas eu não acredito.
Sobre a questão da passividade, é inevitável não ser passivo em algum momento. Quem está apaixonado é porque foi afetado por algum objeto, o afetado sofre o estímulo externo e logose encontra passivo.
É até redundante falar sobre, mas o objetivo é deixar claro que a passividade do individuo é real.
Existem pessoas capazes de deliberar em algum momento essa escolha, de se deixar afetar. No entanto, isso não é nem bom e nem ruim “a priori”, a questão é de como tudo vai transcorrer e não depende exclusivamente de um lado da relação.
É certo que existe muitas coisas a serem acrescentadas nas nossas concepções, mas no momento quero apenas abrir margem a reflexão individual.

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