sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Astros do meu céu: O sol, A lua e Você


Choveu aqui essa noite
Nem era a hora de lembrar ou de esquecer de nada
Era hora apenas de fechar os olhos e sentir o cheiro da chuva
Era o momento de ouvir o grito ensurdecedor do silêncio

Com poucos minutos a chuva passou
O sono veio...
E virou sonho
Acabei sonhando com o irreal

O sol nasceu
Eu acordei
O sono teimou em me perseguir
E fui te encontrar

O sol se pôs
Cheguei perto de ti
O sono que eu tinha não foi dormido, mas nem existe mais...
E as mãos se encontraram outra vez

A lua veio azul de tão branca
Com suas bordas coloridas de luz
De tão grande parecia perto
E perto permaneci de você

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Corro




Por ruas

Por avenidas

Pelo tempo

Pela vida

Corro de mim

Corro de você

Corro em ti...

Perco-me nos teus segredos

Acho-me no teu riso

Acho-me em você


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Uma dor...


Hoje acordei já cansada.
A quantidade de tarefas e prazos para cumprir me espremia como uma laranja.
Uma época totalmente turbulenta e sem brechas para respirar.
Sentia-me como se estivesse com o nariz congestionado e febril.
Naquela situação que te faz desejar não necessitar de ar para sobreviver.
Continuei correndo ao longo do dia e de repente tive que parar tudo.
Vi uma mulher e uma criança, pedindo esmolas na rua.

Mesmo, esse fato, sendo comum e demasiadamente velho, não tive como negligenciar e fingir que nada acontecia.
Aquelas pessoas traziam no seu semblante e em outros lugares ocultos, as dores da miséria.
Nessa hora senti-me totalmente impotente.
Por mais que pudesse ajudar, o máximo que eu poderia fazer era amenizar, maquiar aquela dor por um curto momento.
Mas e depois?
A incerteza do depois, agregada a toda aquela miséria me tocaram.
Logo eu, que como qualquer mortal tem seus problemas, e que às vezes se desespera com uma não solução, com uma fome ou sede que será sanada dentre poucos instantes, até mesmo com uma unha quebrada...
Pensei: “E depois?”
Como acordar sem saber se irá tomar um café e se alimentar durante o dia?
Imagina isso em um dia, em dois, em uma semana, em uma quinzena, eu um mês, em um ano...
Uma vida toda na miséria?
Sei que cada um tem a sua vida e seus problemas.
Já ouvi dizer que cada um carrega a cruz que pode suportar.
Pergunto-me se tudo isso é justo mesmo já sabendo da resposta.
Pergunto-me por apenas não entender.
Pergunto-me por não saber o que fazer.
Pergunto-me demais e não faço nada.

domingo, 9 de novembro de 2008

Sabor de Cassis


Inventamos para nós a tarde perfeita
Marcada pela brisa do mar
D’onde pudéssemos ter a melhor vista da cidade
D’onde o vento estivesse a tocar a nossa face ao primeiro beijo
Numa melodia composta de risos, amigos e céu estrelado
Talvez algumas piadas para rirmos...

E a noite chegaria...
Uma rosa coloriria o meu rosto de vermelho
E um tropeço para lembrar que tudo é real
Existiria uma pitada de timidez para derramar encanto
E um cheiro que depois teimaria em ficar em mim...
E um gosto leve de cassis ficaria na minha boca
Cabelos que segurariam a minha mão de modo quase involuntário
Violinos que tocariam para nós
E no fim...

Uma despedida que se faria em “Até logo!”

sábado, 8 de novembro de 2008

Sem Nenhuma Resposta


Você foi aquela pessoa que me ensinou, a saber, apreciar um bom monólogo.
Com você aprendi a falar sem ter que aguardar por nenhuma resposta.
Como uma criança que fala com seu amigo imaginário.
(A criança pelo menos tem uma imaginação fantástica para poder devanear sobre as respostas que não vem e se contentar com elas.)
Eu, diferente da criança, tive que me acostumar com essa condição.
Deixar para trás algumas brigas, alguns desentendimentos, algumas boas idéias ou felicidades.
Fazemos escolhas, tudo bem.
Continuar falando é uma escolha minha.
Continuar em silêncio é uma escolha tua.
Eu apenas perco meu tempo e minha saliva.
E você nunca saberá o que perdeu.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Sem Ação não Há Reação


Ele nem imaginava que eu acompanhava seus passos, que sabia tudo ou quase tudo da sua rotina, de suas horas...
Poderia ser capaz de lembrá-lo de seus afazeres, mesmo sem que ao menos tivéssemos trocado palavras uma vez só fosse.
Eu sabia de seus gostos, de suas preferências e provavelmente de seus pensamentos.
Eu o observava de longe.
Mas me faltava dar vida aquele espectro nebuloso que eu inventei para mim.
Ele existia factualmente, mas a sua realidade permanecia um segredo que eu não saberia se um dia teria a chance de desvelar.
Faltava-me a memória de seu cheiro, de seu calor e do seu gosto na minha boca.
Aquilo que seria capaz de torná-lo real para mim.
Eu o desejava silenciosamente e não me era possível falar desse sentimento.
Parecia existir uma barreira que me castrava da ação.
Por que mais que esse sentimento fosse para mim importante, ele acharia uma grande idiotice, pois eu sabia o quanto ele acreditava na sua capacidade de manter a distância das paixões.
Os amores eram perca de tempo, e eu compartilhando o meu sentimento com ele não obteria nenhum êxito, pois era quase certo que eu teria uma grande frustração.
O tempo passou e a coragem nunca veio e ele voltou para a sua cidade, no extremo sul do país.
Meses depois, encontrei um amigo que me entregou uma carta com as seguintes palavras:


“Fui embora por não suportar o seu silêncio, por não ter enxergado em você nenhuma possibilidade de me aproximar.
Sempre te observava discretamente, mas infelizmente o tempo passou e vou viver minha vida.
Gostaria de poder ter te conhecido naquele dia que deixei um bilhete pedindo o seu telefone ou em outra oportunidade, no baile a fantasia, onde eu pedi a sua mão para dançar e você não pôde por estar com dores nos calcanhares.
Tinha algumas esperanças, mas vejo que eu não seria a sua altura.
Quem sabe...
Até um dia!
Adeus!”