segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Sem Ação não Há Reação


Ele nem imaginava que eu acompanhava seus passos, que sabia tudo ou quase tudo da sua rotina, de suas horas...
Poderia ser capaz de lembrá-lo de seus afazeres, mesmo sem que ao menos tivéssemos trocado palavras uma vez só fosse.
Eu sabia de seus gostos, de suas preferências e provavelmente de seus pensamentos.
Eu o observava de longe.
Mas me faltava dar vida aquele espectro nebuloso que eu inventei para mim.
Ele existia factualmente, mas a sua realidade permanecia um segredo que eu não saberia se um dia teria a chance de desvelar.
Faltava-me a memória de seu cheiro, de seu calor e do seu gosto na minha boca.
Aquilo que seria capaz de torná-lo real para mim.
Eu o desejava silenciosamente e não me era possível falar desse sentimento.
Parecia existir uma barreira que me castrava da ação.
Por que mais que esse sentimento fosse para mim importante, ele acharia uma grande idiotice, pois eu sabia o quanto ele acreditava na sua capacidade de manter a distância das paixões.
Os amores eram perca de tempo, e eu compartilhando o meu sentimento com ele não obteria nenhum êxito, pois era quase certo que eu teria uma grande frustração.
O tempo passou e a coragem nunca veio e ele voltou para a sua cidade, no extremo sul do país.
Meses depois, encontrei um amigo que me entregou uma carta com as seguintes palavras:


“Fui embora por não suportar o seu silêncio, por não ter enxergado em você nenhuma possibilidade de me aproximar.
Sempre te observava discretamente, mas infelizmente o tempo passou e vou viver minha vida.
Gostaria de poder ter te conhecido naquele dia que deixei um bilhete pedindo o seu telefone ou em outra oportunidade, no baile a fantasia, onde eu pedi a sua mão para dançar e você não pôde por estar com dores nos calcanhares.
Tinha algumas esperanças, mas vejo que eu não seria a sua altura.
Quem sabe...
Até um dia!
Adeus!”

2 comentários:

diasenoites disse...

Muito bOm... bjão... visita o meu...


http://diasemnoites.blogspot.com/

Frido disse...

Tipicamente humano... Deixar pra depois, esperar o que estar por vir e esquecer-se do Agora, do Instante... Custa lembrar que o Agora tb é Real? Que o presente faz parte da vida? Esperar, esperar, esperar... Num futuro inalcançável e ideal. Se joga no presente sem medo de errar, que o erro maior é nao se jogar! A boniteza de ser gente tá na luta diária que travamos conosco mesmo! Se pararmos para pensar em tantas, tantas (inúmeras) oportunidades que deixamos escapar por apenas nao agir...