segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Uma dor...


Hoje acordei já cansada.
A quantidade de tarefas e prazos para cumprir me espremia como uma laranja.
Uma época totalmente turbulenta e sem brechas para respirar.
Sentia-me como se estivesse com o nariz congestionado e febril.
Naquela situação que te faz desejar não necessitar de ar para sobreviver.
Continuei correndo ao longo do dia e de repente tive que parar tudo.
Vi uma mulher e uma criança, pedindo esmolas na rua.

Mesmo, esse fato, sendo comum e demasiadamente velho, não tive como negligenciar e fingir que nada acontecia.
Aquelas pessoas traziam no seu semblante e em outros lugares ocultos, as dores da miséria.
Nessa hora senti-me totalmente impotente.
Por mais que pudesse ajudar, o máximo que eu poderia fazer era amenizar, maquiar aquela dor por um curto momento.
Mas e depois?
A incerteza do depois, agregada a toda aquela miséria me tocaram.
Logo eu, que como qualquer mortal tem seus problemas, e que às vezes se desespera com uma não solução, com uma fome ou sede que será sanada dentre poucos instantes, até mesmo com uma unha quebrada...
Pensei: “E depois?”
Como acordar sem saber se irá tomar um café e se alimentar durante o dia?
Imagina isso em um dia, em dois, em uma semana, em uma quinzena, eu um mês, em um ano...
Uma vida toda na miséria?
Sei que cada um tem a sua vida e seus problemas.
Já ouvi dizer que cada um carrega a cruz que pode suportar.
Pergunto-me se tudo isso é justo mesmo já sabendo da resposta.
Pergunto-me por apenas não entender.
Pergunto-me por não saber o que fazer.
Pergunto-me demais e não faço nada.

2 comentários:

Frido disse...

Sempre nos perguntamos demais e esqueçemos do que podemos fazer em ação. =~
Na verdade tudo de olhos bem abertos para a real realidade se torna feio e triste.
Tentamos maquiar, esquecer, ajudar nem que seja por momentos, porque a angústia que dá ver essa triste realidade da miserabilidade humana
faz com que fiquemos nós mesmos desprezíveis e um sentimento de culpa e dor nos consome que quase toma o controle de nossas vidas.

Marina disse...

Existem perguntas que nós sempre saberemos as respostas, mas ainda assim a pergunta grita dentro de nós...

As vezes me pego pensando na mesma coisa que escrevestes aqui... posso dar uma esmola agora... mas E DEPOIS? onde essa criança dorme? Onde ela vai acordar... se ela tiver um pesadelo quem vai socorre-la a noite... e se ela nunca acordar desse pesadelo??

Adorei seu blog... posso te add??

Sem mais
Mari