sábado, 27 de dezembro de 2008

Essa noite...

Queria que chovesse
Queria não ter que me ouvir
Queria não ter que pensar sobre mim...
Ou nas minhas piadas que ninguém entende
Queria um sinal de persistência e coragem para virar mais uma página
Queria não querer mais uma vez
Queria querer o que é bom
Queria correr do pecado
Queria ser um santo ao pé do altar
Queria ser esperto e não inteligente
Queria não ter que acordar
Queria que o tempo passasse
Ou parasse
Queria ter mais tempo
Queria ir embora
Queria chorar
Queria morrer outra vez
Queria ressuscitar
Queria gemer
Queria gritar
Queria desistir
Queria
Queria
Queria mais
Queria menos
Não queria mais nada
Desisti de querer
...


Olá! Meu nome é...


Medo!
Sou especialista em pisar em ovos e em recuar na existência dos sinais de fogo.
Sempre estive aqui, de olhos abertos e aguardando um sinal para fugir da dor.
Meu companheiro mais presente é a solidão.
Sempre está comigo nos lugares que eu vou e no álcool que bebo.
Meu melhor amigo é o sono. Faz-me esquecer de tudo que a solidão me propicia.
E o meu inimigo?
Adivinhem se forem capazes!
É o triste amor!
Ele me fez chorar, me fez sofrer, me fez desistir.
O problema do amor é que ele também era solitário, era meu e de mais ninguém.
Era cego na luz e enxergava no escuro da minha sobriedade.
Foi aí que aprendi a desistir, foi aí que aprendi a temer...
Foi aí que mudei de nome...
Antes eu era Esperança.
Via-te como um pedaço de carne que sorria
Via-te como motivo de uma alegria
Via-te como uma coisa qualquer
Via-te como causa de um mal-me-quer

Fechei os olhos para não ter que te ver
Tapei os ouvidos para não ter que te ouvir
Calei para não ter que te falar
Abri o coração para você partir

Apenas sei que um dia a gente vai se encontrar
Nesse dia notará que não há culpa ou culpados
Saberá perdoar...

E eu ficarei aqui apenas
Não vou esperar
Não vou partir

Guarde teu sorriso na alma
E a dor no coração
Até que as coisas resolvam mudar

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Foi tarde!


Ele era um santo, como os acólitos da igreja de São Pio X. Nem gostava de álcool, nem usava as drogas que seus amigos teimavam em consumir. Gostava de fazer o bem ao próximo, tinha um ar de sorriso estampado na cara, semelhante às propagandas de creme dental. Poderia ser eu se não fosse ele. O detalhe é que dificilmente eu trabalharia para o meu próprio mal, minha potência de existir não permitiria que eu fizesse algo de nocivo contra minha pessoa. Mas ele, ele não teria essa sensibilidade na pele, ele seria incapaz de pensar no bem do outro antes do dele. Na verdade ele era um qualquer. Cabelos grisalhos, cinqüentão, aparentemente um bom partido... Muitas qualidades de longe, mas de perto um frustrado que faria questão de tornar a minha vida frustrante. Um ciumento, possessivo e desconfiado, só porque a minha pele ainda era jovem, corada e cheia de viço. Lamentaria ter que dizer que, mesmo o amando, tinha que partir. Seria incapaz de não dizer adeus se sentisse necessidades para tal. Minha alma e minha boca não hesitariam em proferir tais palavras. Depois de poucos meses, teria eu me cansado de tal rotina. Eram cinco da manhã e ele não havia retornado, nem telefonado... Eu havia perdido a confiança, sabia que ele gostava de estar ao meu lado, mas o seu respeito estava foragido, escapando pelos seus poros no suor fruto do sexo pago na periferia da cidade, do lado de algumas vagabundas, possivelmente e potencialmente infectadas por uma DST. Ele era tão sujo quanto à lama e eu fui adquirindo um nojo crescente ao seu lado. Eu sei que teria que por um fim nessa situação sem saída, sem esperança. Ainda bem que não tínhamos filhos, além de tudo, desconfiava que fosse estéreo. “Meu Deus!” Eu pensava: “aonde vim parar!” Acordei cedo no outro dia. Enxerguei e me convenci de que não valeria à pena nem mesmo uma despedida ou uma explicação. Ele havia adormecido despido na banheira, o nojo só aumentou. “Que situação!” Comecei a ter pena de mim por tamanha vergonha, nem sei por que tive essa sensação, na verdade queria que ele se danasse. Ele acabou com a minha esperança, depois de tantas tentativas de felicidade, eu o via como a última saída! Não que eu não tivesse a capacidade de encontrar alguém melhor, mas eu já estava cansada de supor que o bem pudesse vir do coração de algum homem. Então fui embora. Simplesmente, saí. Foi melhor assim, não vou sofrer por isso. Ele era tão pequeno e medíocre e eu estava me contaminado com seus vícios morais por suportar tudo. Chegou o momento que eu deixei de sofre e me questionar sobre o bem que um coração possa possuir. Não perco as esperanças totalmente, pois o meu coração ainda pôde, depois de tudo, permanecer em paz e ciente de que eu sou o meu próprio bem.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Brincando com o tempo...


Pergunto-me às vezes:
“Será que o universo é um grande relógio que um Deus relojoeiro ajusta, troca os pinos e ignições?”
Fico até pensando:
“Será que se em vez de beber água eu tomar refrigerante mudarei alguma coisa no futuro?”
Como se assim, a mínima coisa que eu fizesse, tivesse o poder de mudar substancialmente meu futuro.
Observei-me então brigando com o tempo.
Querendo que ele corra!
Querendo que ele volte!
Querendo que ele pare!
Querendo sem querer!
Querendo manipulá-lo ao meu favor...
Fui capaz de esquecer o calendário para me perder nos dias.
Deixei todos os relógios pararem.
Comecei a dormir tarde para desregular o meu próprio relógio.
Não como na hora certa.
Acordo na hora errada.
Continuo a me perguntar...
Quantas décadas faltam para a maturidade?
Quantos anos faltam para eu ser gente?
Quantos meses faltam para o carnaval?
Quantas semanas faltam para o natal?
Quantos dias faltam para o final da semana?
Quantas horas faltam para sair o resultado?
Quantos minutos faltam para a hora do jantar?
Quantos segundos faltam para eu relembrar de você?
E aí eu continuo, brigando e brincando com o tempo
Pensando que ele briga e brinca comigo também
Todos nós desejamos um bom futuro, bons momentos...
Mas será que temos consciência de que cada atitude prepara para esse caminho?
Mantenho-me com os olhos bem abertos e querendo sempre poder estar sóbria para notar esses avisos, às vezes, tão agudamente, que fujo para esquecer tudo e deixar as coisas tomarem o seu próprio rumo.
Mas não dá!
Seria uma negligencia da minha parte...
Mas inocência minha pensar isso, mesmo sabendo que tenho o poder de fazer meu tempo, não mando no tempo e ele parece ter vida própria.