domingo, 6 de setembro de 2009

Des-coração


Ando querendo conjugar mais vezes o verbo viver.
Eu sempre soube que o simples fato de estar vivo não significaria que as coisas estivessem boas para o meu lado, mas sabe... Ando sentindo falta de viver mesmo. Aquela vida doida... Vida de quem sofre e de quem ama.
Acho que nunca amei de verdade na vida e se amei eu nem notei... Bom, acho que não amei mesmo, não vi e não lembro.
Até o amor me foi furtado.
Onde estava eu no dia que distribuíam corações? Pareço o homem de lata, ao menos ele tinha os amigos para ensiná-lo algumas virtudes e descobrir emoções...
Tenho coração, notei que tinha quando o senti apertar aqui no peito...
Acho que é assim que alguém que nunca amou descobre que tem um coração.
Depois de tanto pensar nisso descobri que tenho um coração e dos grandes, acho que o problema é outro agora, não sei usar.

domingo, 16 de agosto de 2009

Mudança de Planos


Nunca pensei que fosse tão difícil falar adeus para o que nunca se teve.
Eu disse adeus pra uma parte da vida que eu tive de abandonar na escolha que fiz há pouco tempo.
Talvez tenha abandonado a família dos sonhos, o cachorro, os dois filhos que planejei. As viagens, as despesas, os sábados de faxina, os domingos de almoço reunidos.
Abandonei sem querer uma projeção que tinha.
Talvez com bastante esforço, teria chances de dar certo.
Abandonei uma carreira, amigos de trabalho, uma cidade nova, parentes novos, lugares novos.
Difícil dizer adeus ainda.
Difícil se despedir.
Difícil ver uma desejo escorregar entre os dedos que talvez fosse pesado demais para suportar.
Talvez, do lado de lá, alguém estivesse tendo razão e fazendo uma sábia escolha, escolhendo o mais simples, o mais cômodo, o mais lógico, aquilo que o virar de dias pede.
Eu e as minhas escolhas sempre difíceis.
Mas eu nunca disse que ia dar certo...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Confusão


“Se me sentasse na cadeira do analista não saberia o que dizer e nem como me comportar.”

Esse era o pensamento antes de entrar no consultório.

Claro que, como a vida de todo mundo, eu tenho problemas... Mas tais problemas, às vezes, parecem não fazer tanto sentido.
Sempre tive consciência de que as coisas eram passageiras que, um dia após o outro, os episódios mudavam e que o passar dos momentos eram uma sucessão de esperas, mas esperar cansa...
Nunca tive problemas com pais, namorados, irmãos, eles é que tinham os seus problemas comigo.
Achavam monótono o meu modo paciente de lidar com a vida.
Me dava bem sozinha, apesar de sentir falta de alguém que não sabia quem era...
Ou de alguma coisa que me entreteria.
Sou resolvida e sei o que quero.
O que me deixa decepcionada são os homens que nunca sabem o que querem.
Que são incapazes de dizer não ou dar um fora. Eles possuem uma sede de conquista imensurável. Como isso cansa...
Mas a vida, e sua sucessão de episódios, conduz a esse processo enfadonho de capítulos dignos de novelas baratas.
Posso ser ansiosa pra resolver as coisas, mas sei esperar também.
Acho que eu poderia ser um pouco mais mal resolvida para poder equilibrar com o resto, queria não saber o que quero, assim saberia facilmente enrolar os outros.
As pessoas adoram ser enroladas como rocamboles....

- RECEPCIONISTA> Senha número dois!

- lÚCIA> É você Carmem!

- CARMEM> O quê que eu falo para o analista heim Lúcia?

Errando outra vez....


Existia algo errado naquilo tudo. Uma paixão gratuita era demais...
Paixão não surge assim, ainda mais quando se está confuso com o passado.
Ele estava com problemas amorosos com aquela menina, que ainda era uma menina...
E eu, a “mulher”, estava lá, apoiando qualquer decisão.
Não o amava e nem existia qualquer paixão, era só o começo de uma atração e eu estava lá, meio que esperando tudo se resolver.
Ele dizia que eu era a mulher que ele precisava, mas no fundo eu sabia que ele era e estava confuso.
Se antes não esperava, agora, depois de a vida ter me ensinado a sentar sem apoio, como uma criança de seis meses, é que eu não esperava por uma opinião formada sobre nada...
Era confuso e confusão definitivamente não é a minha praia.
Não adianta esperar uma ligação, apesar de haver uma promessa.
Tenho certeza que não errei nada, parece que mais uma vez alguém atirou para o lado errado.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Um elogio ao "nascer"


Há um tempo atrás pensava que qualquer um só nascesse uma vez para poder estar no mundo e Ser alguém autenticamente.

Mas nascer não significa estar no mundo, apesar de ainda assim estarmos todos “aqui”, de certa forma.

“Estar” está para além da simples presença.

Estar é, na minha mente, ter consciência-de-si e do além-de-si.

É enxergar que as coisas não são suficientes, é buscar ampliar os próprios limites, tentar continuamente alcançar o infinito.

Devemos nascer todos os dias das nossas vidas, incessantemente.

Não nascer-para-o-mundo, dessa forma, é também morrer a cada dia até chegar ao ponto da insignificância, que não é a mesma coisa do “nada”.

Afinal, do “nada” nada pode se falar. Enquanto que quem não nasce todo dia nada pode dizer.

Falar qualquer um fala...

Uma criança, um orangotango, um doidivanas...

Dizer, dizer de verdade, poucas pessoas fazem.

De volta


Depois de cinco meses distante... resolvi voltar...
Estava muito longe, perdida em algum lugar sem lembranças ou memórias...
Esqueci de tantas coisas, amores e objetos...
Lembrei da infância nesse meio tempo também
Voltei mais mulher e mais menina
Voltei me enganando também, as vezes acontece....
E se algo me resume é essa palavrinha pequena que temos no nosso idioma...
"saudade"
Voltei com saudades...
Como quem acabou de conheçer o amor de sua vida e teve que pegar as malas e voltar pra casa depois das férias de julho, onde o sol e o mar invadem o dia e a noite...


Sempre as saudades...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ele era avarento como a maioria dos comerciantes, pois, tinha que dar valor ao dinheiro que tanto se esforçava para adquirir. Ele tinha um antiquário e lá existia de tudo: jóias, móveis velhos, prataria, coisas usadas em geral, coisas que deveriam valer mais por ter um valor sentimental, por ter uma estória talvez...
No seu escritório tinha um ralo, um ralo que fedia muito. Todos que lá chegavam eram recepcionados por sua advertência de que aquele cheiro era do ralo e não o dele.
Certo dia apareceu um cara vendendo uma caixa de música. Ele ofereceu 10 pratas naquele objeto, no entanto, o dono achou pouco. O objeto pertencia à mãe do sujeito e tocava uma musiquinha igual aos carros que vendem gás na rua. “Tá certo, te dou 15, mas para ouvir essa musiquinha você terá que esperar o carro de gás passar na sua rua!” Assim, foi que ele se despediu do dono da caixinha.
Outra vez entrou um mexicano com um objeto qualquer e que findou perguntando que cheiro era aquele. O comprador respondeu: É o ralo! Não sou eu! É o ralo. O outro falou: Mas quem usa o banheiro? A resposta foi: Eu, só eu, por quê? Então se só você usa esse banheiro o cheiro do ralo é o seu cheiro! Disse o homem saindo rápido pela porta.
Aquilo magoou profundamente Lourenço, o dono do antiquário.
Lourenço fez muitas pessoas sofrerem com as suas palavras ásperas, mas a vida não lhe foi nenhuma seda. Ele nunca teve um pai. O pai dele deve ter saído apenas uma vez com a sua mãe.
Um dia ele comprou um olho de vidro e disse para todos que era do seu pai e que este tinha perdido na II Guerra Mundial.
Outro dia apareceu um homem vendendo uma prótese japonesa, era uma perna. Ele comprou na hora e pensou: Eu já tenho um olho e a perna do meu pai. Ele deve ser triste por nunca ter me tido, mas pelo menos eu o tenho. Meu pai Frankstein.
Tempos depois e depois de ter entupido o ralo com cimento ele se enfurece e diz que as coisas em sua vida estão dando erradas porque o cheiro do ralo era o que o levava pra frente e que era o próprio Eu dele.
Lourenço, no momento que está quebrando o chão, tem a sua sala invadida por uma viciada que sempre vendia objetos para sustentar o vício. Ela entra com uma arma e atira no peito de Lourenço.
Ele morre no momento em que acredita estar se encontrando com a sua própria natureza, como o cheiro do ralo.
Lourenço morre com o olho na mão e a cara no chão do banheiro como se estivesse num ritual. Os olhos molhados e o nariz encostado no ralo. O barulho do disparo ecoa pelo banheiro se misturando com o cheiro que escapa.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Meu ventinho.


Era só o vento passando, logo ali, ligeiro, trepido inconstante... E fugaz.

Ó vento, porque me deixas tão feliz com a sua presença e vai embora antes que eu me deleite? Sempre me enganas
Devaneio meu.

Peço que fique em vão.
Ele era livre e sempre foi.
Estava aqui e ali o meu vento, meu ventinho, minha quase brisa.
Dava para brincar de voar com a mão por suas ondas invisíveis e sutis.
"Sonhava com um dia de sol feliz contigo e suas inconstâncias"
De tanto pedir, só me vinha ventania.
"Entenda o meu pedido ventinho, quero uma visita breve e um toque no rosto, pode ir e vir quando quiser, você é livre.
Não é tua falta que me fará bem e nem o teu excesso. É só um meio termo que falta."

"Ventinho vá, venha e não me esqueça!"

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

anAna do outro lado do espelho.


Ana tinha a sensação de está sozinha no mundo. Ela era o seu próprio mundo que ninguém conseguia enxergar. Sempre batiam na sua porta, mas da sala não passavam. É certo que ela resistia, mas nunca negou que a porta estava entreaberta, mesmo assim, ninguém conseguia entrar. Ana era auto-suficiente demais e seus pensamentos a bastavam. Mas de tanto pensar, ela viu que as coisas ao seu redor, cada vez, perdiam mais o sentido. Ana cansou de si e cansou mais ainda de ver os outros pensando futilidades. Ana não agüentava mais essa vida mesquinha e efêmera. Ana queria viver de verdade e autenticamente. Ana era uma menina nova, mas parecia ter cem anos de sabedoria, era viva, era esperta, mas era triste. Não encontrou ninguém para compartilhar das suas teorias de mundo. Ela guardava segredos sobre tudo e tinha resposta para tudo.
Ana correu na vida, mas rápido do que o tempo.
Ela via de ontem a chuva de amanhã, nem ela se entendia.
Ana não era comum, Ana não era feliz.
Ana sabia de tudo e de nada, Ana nada sabia.
Ana sentia tudo e nada sentia.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Algumas vezes tive vontade de voltar no tempo.
Não era por saudade, não era por arrependimento, não era para desfazer nada.
Eu queria voltar para saber quais foram os lugares que derramei o que era importante, poder resgatá-las e fazer com que elas permanecessem e que se tivesse de perder, que fosse por uma escolha ou por um erro real.
Mas penso, porém, que se isso me fosse possível eu estaria manipulando as coisas, sabendo que elas eram minhas por minha vontade ou porque fiz por merecer.
A verdade é que esse sentimento é estranho.
Só isso tenho a dizer.

O amor segundo Eva


- Eva, eu gosto de você.
- Mas Adão, gostar a gente gosta de qualquer coisa.
- Então, o que você quer de mim?
- Nada. Definitivamente nada que você possa me dar. Essa sua própria pergunta já anula qualquer possibilidade de resposta.
- Como ficamos então?
- Não ficamos. Tendo em vista que eu não aprecio o que é incompleto, terminamos essa relação que jamais teve início e meio, mas que desde sempre esteve fadada ao fim.
- Não me dá nem o direito de tentar?
- Mas você tentou, Adão. E eu fui testemunha de seu esforço. Porém, não se tenta amar alguém, ou ama ou não ama e ponto. Como o céu que já nasceu pronto.
- Se eu pudesse escolher eu teria amado você.
- Pois eu não. As escolhas da razão jamais alcançam o coração. Mas... Se eu pudesse de fato escolher, não teria amado você.
- A quem teria amado, Eva?
- A mim, Adão. Eu teria amado a mim.
Por Carolina Braga 28.01.09

O mundo é um moinho.


Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar

Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos.
Vai reduzir as ilusões à pó

Preste atenção querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés

domingo, 25 de janeiro de 2009

Uma breve visita

Itálico


Entrei em uma floresta desconhecida e escura. Não a conhecia, mas tive coragem de caminhar por dentro dela e apreciar, sem medo, as suas robustas árvores e seu clima pacífico e silencioso. Aquela floresta tinha um cheiro diferente de terra úmida e suas cores, mesmo de noite, podiam ser contempladas no mais alto grau de resolução.
Eu tive a melhor impressão de lá, era linda e estupidamente agradável. A cada passo que eu dava uma novidade, uma estória. Escrevi meu nome naquelas árvores na tentativa de deixar a minha marca nelas, mesmo sabendo que o seu caule ia descascar e outra camada iria nascer. Eu queria ser eterna para a natureza.
Como não conhecia aquele lugar e estava sozinha, resolvi deixar algumas marcações pelo caminho para que não me perdesse e que eu pudesse voltar tranquilamente quando fosse a hora certa. Eu não tinha nenhuma pressa. Pela primeira vez eu não tinha pressa para voltar de um lugar desconhecido. “Me apaixonei por esse lugar!”. Gritava silenciosamente para dentro de mim em uma tentativa de mostrar que não precisaria temer. Tentei confiar em mim, ser madura, me considerar adulta o suficiente para não ter medo do escuro e dos meus próprios fantasmas.
A noite passou rápida, mais do que de costume.
Eu não sei se estava muito entretida com tanta beleza ou se realmente o tempo que foi curto, não sei.
Mas o dia amanheceu e tive que correr, na verdade alguém brincou de ascender às luzes do céu. Meu relógio ainda marcava duas da manhã. “Fui expulsa da floresta!” Conclui.
O claro demasiado e precoce vindo do céu me avisa da hora de voltar. Olhando para o caminho de volta, constatei que retiraram as minhas marcações propositalmente. “Mas quem?”
Fiquei triste porque além de não querer voltar, eu não sabia mais voltar.
Busquei no meu bolso uma bússola, queria um norte. Falei com a floresta, mas ela não me falou. Inocência minha esperar respostas, mas eu teimei.
Andei, andei e andei... Andei até cansar de andar.
Lembrei o caminho por onde entrei. Com lágrimas nos olhos corri para não mais voltar, mas já era de se esperar...
O que fazer com o meu caminho para casa?

sábado, 24 de janeiro de 2009

Bilhete incompreensível

Sabe quando os acordes não tocam mais a sua alma e você nota que tudo deixou de ter aquele sentido que tinha antes?
Que por mais que você se esforce... Não adianta se esforçar... Porque os outros possuem uma força que, às vezes, é maior que a sua para continuar...
Você pensa: “Será que eu não sou capaz de ver por outro ângulo?"
Mas não! Está tudo errado de verdade!
Não tem nada certo e não existem certezas.
A certeza é apenas uma invenção para fazer você não voltar atrás, às vezes.
Eu não estou louco ou coisa do tipo.
É... Algumas pessoas não percebem que o grito do silêncio ensurdece mais do que qualquer outro.
Tanto faz tentar fazer a coisa certa agora, tanto faz querer ser politicamente correto.
Aqueles ditos bons não sentiram o que você sente...
E tempo não passa, pense nisso!
O tempo é outra invenção.
Por que no fim das contas, as coisas continuam, as pedras ficam...
E você é que passou.
Entende?
Então não se faça assim, queira ficar na memória como um pensamento bom para alguém. Mesmo que você nunca mais fale com essa pessoa.
Não deixe de ficar em vez de ir.
Só quero que entenda que certas coisas não valem à pena ou que forjar um desejo é um pecado.
Mas, um dia, se aprende a ser... A ser, em vez de simplesmente estar sendo por um momento, por um instante vão!
Então será de verdade o melhor de você!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Onde estava?


Já tive saudade de tanta coisa. Saudade de uma época da qual eu não vivi, por exemplo. Eu queria ter nascido na década de 50 para poder acompanhar a efervescência cultural do meu país. Anos de rebeldia e de limitação. Até a literatura parecia ser mais viva, as músicas tocavam ao coração e não só aos ouvidos.
Já tive saudades também da minha infância, uma infância, que depois de adulto, eu inventei. A minha verdadeira infância parece na verdade nem ter existido, pois mal me lembro dela e não sinto apego. Sinto apenas o que eu não vivi.
Já tive saudades de que não teve saudade ou perdeu a capacidade de sentir. Saudade de um cheiro que fiz questão de esconder no armário do quarto e deixar escapar. Parecia não fazer mais sentido lembrar.
Já tive saudade dos beijos que ainda deveriam ser dados, saudade do futuro planejado e que se perdeu em uma lacuna dessas por aí.
Já tive saudade das brigas que eu não briguei, por que delas perdi a oportunidade de me reconciliar, de chorar, de esbravejar, de soltar o peso da garganta, de ter que voltar mais leve depois de tudo.
Já tive saudade do casamento que não terei mais, da família que ficou para trás, dos domingos de tédio que não viverei ao lado deles. Saudade da opção não tomada.
Foi tudo apenas uma possibilidade, uma possibilidade remota dentro de milhões de outras das quais eu não cogitei e não sinto falta. Sinto falta dos planos que perdi, apenas.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Outra Vez


Hoje escrevi diversos textos. Começava e desistia de continuar. Não tinha que jogar o papel fora porque, felizmente, estava escrevendo no meu computador. Quando escrevo, sinto que sou ouvido de certa forma. Sinto que as coisas pesadas saem do meu peito travado e mudo. Eu não sabia o que acontecia comigo, achava que se fosse falar com um amigo sobre, poderia ser mal interpretado e visto como um tolo, logo eu, tão esperto e vivo, o mais animado da turma, o que conta piadas e tido como a peça fundamental nas reuniões de happy hour.
Eu acordei hoje, pela manhã, me olhei no espelho com aquela barba áspera que eu não tinha vontade de tirar. Aquele desanimo, aquela sensação de falta de norte, de caminho, de quem estava para se perder nos próprios passos impensados. Por esses dias eu não tinha certeza de nada, do que eu queria e do que não queria. Estava esperando o tempo passar para que ele mesmo se encarregasse de me conduzir, pela sua própria providência, talvez...
A verdade é que não tenho certeza mesmo, não tinha e continuo sem ter. Não sei se vou procurar as respostas dentro de mim, sei que sou capaz, mas de repente, a minha não ação já seja uma escolha. Vou esperar, se eu perder ou ganhar, tanto faz. Talvez não faça falta mesmo, talvez não tenha graça, talvez... Talvez.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Leve desespero

Mergulhei naquele mar mesmo sem saber nadar
Mergulhei cheia de coragem e querendo arriscar
Mergulhei e vi o que ninguém mais viu
Mergulhei e o horizonte me sumiu

Afundei com muito medo
Debati-me como um peixe fora da água
Procurei socorro com a esperança de escapar
Mas ninguém podia me ouvir chamar

Chorei por dentro
Vi minha existência sumir
Pensei em toda a minha vida
Pedi um milagre ou um anjo

Acordei na minha cama
Com suor no corpo e o coração acelerado
Levantei depressa...
Vi você sorrindo ao meu lado


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Saídas.


A vida nos faz aprender, na pratica, que as nossas conexões de causalidade são puramente mecânicas.
Que uma determinada atitude que se repete, necessariamente será igual à passada, mesmo que o agente seja outro qualquer.
É mesmo que colocar o dedo em uma tomada a primeira vez e levar um choque.
Somos levados a pensar, automaticamente, que se colocarmos novamente o dedo na tal tomada tomaremos um choque e com outro agravante, o da experiência passada, que lhe custou certo trauma, certa perda, o que já lhe conduz a esperar uma conseqüência negativa, esperar com o sentimento de uma ansiedade que lhe faz mal.
Com a vida é a mesma coisa, mesmo sabendo da imprevisibilidade das ações humanas só enxergamos geralmente duas possibilidades: a do sim e a do não.
Outras tantas possibilidades se perdem no vácuo da nossa imaginação e deixamos de ter consciência da capacidade de reinventar uma nova estória, uma nova conclusão, um novo fim.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009


Ele pensava que estava confuso com suas próprias idéias, mas com um pouco mais de tempo, viu que seus pensamentos o conduziam a um mundo de conexões tão complexamente absurdas que ele quis urgentemente e desesperadamente poder não mais pensar nas coisas que profundamente o machucavam. Ele quis e pediu para não ver a realidade crua e sangrenta, aquela realidade que possuía uma moto-serra que dilacerava seus sonhos de felicidade. Ele desejou dormir por toda a vida, para quem sabe, poder sonhar com campos floridos e cheirosos, mas o que existia a sua volta eram pessoas que não sabiam do significado da bondade. Ele quis muitas vezes pintar de azul o amor, mas o amor que os outros não lhe davam não podia ser pintado. Ele chorou, porque viu um mundo cinza e desbotado. Ele quis sonhar, mas o sono não veio. Então apelou para o sonho eterno.

domingo, 4 de janeiro de 2009

...


É verdade que você é primo do macaco?
A “chita” é tua tia não evoluída?
Ou você nem sabe bem o que é na realidade?
Mas acha que faz parte da humanidade?
Você vive exatamente a vida que é pra viver?
Você vive pra que?
Você vive pra quem?
Trabalhar, comer, dormir pra depois morrer
Você vive pra que? você vive pra quem?
É verdade que você é filho do acaso?
Tudo explodiu e você surgiu?
Você nunca percebeu que algo ta errado?
Já desconfiouninguém te respondeu?
Quem é você? o que você é?
Ta aqui porque? já sabe a verdade ou não tá afim de saber?
Todo mundo nasce morto dentro de aquário
Onde tudo é mentira, nada é real
Escamas nos olhos, na mente, por todos os lados
Afogados numa vida artificial
Não dá pra viver, não dá pra viver manipulado
Não dá pra suportar a escuridão
Não se conforme, chute o balde
Quebre o aquário
Acabe com os pontos de interrogação

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Medo de amar...

Cada qual tem seu jeito, seu jeito de amar.
Uma vez, quando criança e não tinha idéia do que seria o amor romântico, esses de novela e filmes, eu acreditava que amar era chegar para alguém e dizer: “Eu te amo!”
Mas um dia, eu experimentei do amor.
Amei e me deixei ser amada. Entreguei-me e sem saber ofereci minha cabeça a prêmio.
O arrebatamento do amor é tão forte que você é capaz de colocar uma corda no pescoço sem se dar conta.
Quando digo: “Colocar corda no pescoço”, não me refiro a um sentido mórbido de um suicídio e sim arriscar a perder certas coisas, mas porém, ganhar outras.
O amor não se resume em palavras e sim em ações. Nunca vi frase mais manjada sobre o que é o amar, mas mesmo manjada, é real. E o senso comum, mais uma vez, na sua sabedoria poética, tem a razão de entender isso. Mas amar não é tão simples.
O tempo passa e a gente dificulta as coisas, cobramos mais, nos tornamos mais exigentes, taxativos, seletos. Isso é ótimo! Ainda bem. Mas, me parece, que dessa forma fica muito racionalizado, muito medido. Parece que temos um escalimetro nas mãos para medir as palavras que escrevemos e nossas sensações.
A verdade é que com o tempo temos medo de amar, medo de sofrer. Achamos-nos velhos demais para chorar como adolescentes recém saídos das fraldas. Seria cômico ver um homem de trinta anos chorando no colo da mãe porque o seu namoro de um mês acabou. Às vezes temos vontade de chorar, mas dissimulamos, nos mostramos frios, mas só quem sabe desse segredo é a gente mesmo.
Ninguém deveria ter medo de sofrer porque perdeu um grande amor. Acredito que o tempo cura e depois vem outro grande amor.
Acho que Nelson Rodrigues, na tentativa de falar sobre o amor, terminou falando uma meia verdade, ele disse: “Não é possível amar e ser feliz ao mesmo tempo”. Muito pessimismo ou mero realismo? Depende!
Cada qual tem a sua própria concepção do amor e do que é amar, vai ver que é por isso que seja tão difícil chegar a um consenso.
Boa sorte aqueles que amam e aqueles que têm medo de amar!