terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Onde estava?


Já tive saudade de tanta coisa. Saudade de uma época da qual eu não vivi, por exemplo. Eu queria ter nascido na década de 50 para poder acompanhar a efervescência cultural do meu país. Anos de rebeldia e de limitação. Até a literatura parecia ser mais viva, as músicas tocavam ao coração e não só aos ouvidos.
Já tive saudades também da minha infância, uma infância, que depois de adulto, eu inventei. A minha verdadeira infância parece na verdade nem ter existido, pois mal me lembro dela e não sinto apego. Sinto apenas o que eu não vivi.
Já tive saudades de que não teve saudade ou perdeu a capacidade de sentir. Saudade de um cheiro que fiz questão de esconder no armário do quarto e deixar escapar. Parecia não fazer mais sentido lembrar.
Já tive saudade dos beijos que ainda deveriam ser dados, saudade do futuro planejado e que se perdeu em uma lacuna dessas por aí.
Já tive saudade das brigas que eu não briguei, por que delas perdi a oportunidade de me reconciliar, de chorar, de esbravejar, de soltar o peso da garganta, de ter que voltar mais leve depois de tudo.
Já tive saudade do casamento que não terei mais, da família que ficou para trás, dos domingos de tédio que não viverei ao lado deles. Saudade da opção não tomada.
Foi tudo apenas uma possibilidade, uma possibilidade remota dentro de milhões de outras das quais eu não cogitei e não sinto falta. Sinto falta dos planos que perdi, apenas.

2 comentários:

Frido disse...

escreveu pra mim foi? :P hahah bju gata.

uma parte BoCeja; outra parte DeLira disse...

Tava pensando nessas coisas esses dias,e escrevendo algo assim...

gostei!!

=)