domingo, 25 de janeiro de 2009

Uma breve visita

Itálico


Entrei em uma floresta desconhecida e escura. Não a conhecia, mas tive coragem de caminhar por dentro dela e apreciar, sem medo, as suas robustas árvores e seu clima pacífico e silencioso. Aquela floresta tinha um cheiro diferente de terra úmida e suas cores, mesmo de noite, podiam ser contempladas no mais alto grau de resolução.
Eu tive a melhor impressão de lá, era linda e estupidamente agradável. A cada passo que eu dava uma novidade, uma estória. Escrevi meu nome naquelas árvores na tentativa de deixar a minha marca nelas, mesmo sabendo que o seu caule ia descascar e outra camada iria nascer. Eu queria ser eterna para a natureza.
Como não conhecia aquele lugar e estava sozinha, resolvi deixar algumas marcações pelo caminho para que não me perdesse e que eu pudesse voltar tranquilamente quando fosse a hora certa. Eu não tinha nenhuma pressa. Pela primeira vez eu não tinha pressa para voltar de um lugar desconhecido. “Me apaixonei por esse lugar!”. Gritava silenciosamente para dentro de mim em uma tentativa de mostrar que não precisaria temer. Tentei confiar em mim, ser madura, me considerar adulta o suficiente para não ter medo do escuro e dos meus próprios fantasmas.
A noite passou rápida, mais do que de costume.
Eu não sei se estava muito entretida com tanta beleza ou se realmente o tempo que foi curto, não sei.
Mas o dia amanheceu e tive que correr, na verdade alguém brincou de ascender às luzes do céu. Meu relógio ainda marcava duas da manhã. “Fui expulsa da floresta!” Conclui.
O claro demasiado e precoce vindo do céu me avisa da hora de voltar. Olhando para o caminho de volta, constatei que retiraram as minhas marcações propositalmente. “Mas quem?”
Fiquei triste porque além de não querer voltar, eu não sabia mais voltar.
Busquei no meu bolso uma bússola, queria um norte. Falei com a floresta, mas ela não me falou. Inocência minha esperar respostas, mas eu teimei.
Andei, andei e andei... Andei até cansar de andar.
Lembrei o caminho por onde entrei. Com lágrimas nos olhos corri para não mais voltar, mas já era de se esperar...
O que fazer com o meu caminho para casa?

Nenhum comentário: