domingo, 16 de agosto de 2009

Mudança de Planos


Nunca pensei que fosse tão difícil falar adeus para o que nunca se teve.
Eu disse adeus pra uma parte da vida que eu tive de abandonar na escolha que fiz há pouco tempo.
Talvez tenha abandonado a família dos sonhos, o cachorro, os dois filhos que planejei. As viagens, as despesas, os sábados de faxina, os domingos de almoço reunidos.
Abandonei sem querer uma projeção que tinha.
Talvez com bastante esforço, teria chances de dar certo.
Abandonei uma carreira, amigos de trabalho, uma cidade nova, parentes novos, lugares novos.
Difícil dizer adeus ainda.
Difícil se despedir.
Difícil ver uma desejo escorregar entre os dedos que talvez fosse pesado demais para suportar.
Talvez, do lado de lá, alguém estivesse tendo razão e fazendo uma sábia escolha, escolhendo o mais simples, o mais cômodo, o mais lógico, aquilo que o virar de dias pede.
Eu e as minhas escolhas sempre difíceis.
Mas eu nunca disse que ia dar certo...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Confusão


“Se me sentasse na cadeira do analista não saberia o que dizer e nem como me comportar.”

Esse era o pensamento antes de entrar no consultório.

Claro que, como a vida de todo mundo, eu tenho problemas... Mas tais problemas, às vezes, parecem não fazer tanto sentido.
Sempre tive consciência de que as coisas eram passageiras que, um dia após o outro, os episódios mudavam e que o passar dos momentos eram uma sucessão de esperas, mas esperar cansa...
Nunca tive problemas com pais, namorados, irmãos, eles é que tinham os seus problemas comigo.
Achavam monótono o meu modo paciente de lidar com a vida.
Me dava bem sozinha, apesar de sentir falta de alguém que não sabia quem era...
Ou de alguma coisa que me entreteria.
Sou resolvida e sei o que quero.
O que me deixa decepcionada são os homens que nunca sabem o que querem.
Que são incapazes de dizer não ou dar um fora. Eles possuem uma sede de conquista imensurável. Como isso cansa...
Mas a vida, e sua sucessão de episódios, conduz a esse processo enfadonho de capítulos dignos de novelas baratas.
Posso ser ansiosa pra resolver as coisas, mas sei esperar também.
Acho que eu poderia ser um pouco mais mal resolvida para poder equilibrar com o resto, queria não saber o que quero, assim saberia facilmente enrolar os outros.
As pessoas adoram ser enroladas como rocamboles....

- RECEPCIONISTA> Senha número dois!

- lÚCIA> É você Carmem!

- CARMEM> O quê que eu falo para o analista heim Lúcia?

Errando outra vez....


Existia algo errado naquilo tudo. Uma paixão gratuita era demais...
Paixão não surge assim, ainda mais quando se está confuso com o passado.
Ele estava com problemas amorosos com aquela menina, que ainda era uma menina...
E eu, a “mulher”, estava lá, apoiando qualquer decisão.
Não o amava e nem existia qualquer paixão, era só o começo de uma atração e eu estava lá, meio que esperando tudo se resolver.
Ele dizia que eu era a mulher que ele precisava, mas no fundo eu sabia que ele era e estava confuso.
Se antes não esperava, agora, depois de a vida ter me ensinado a sentar sem apoio, como uma criança de seis meses, é que eu não esperava por uma opinião formada sobre nada...
Era confuso e confusão definitivamente não é a minha praia.
Não adianta esperar uma ligação, apesar de haver uma promessa.
Tenho certeza que não errei nada, parece que mais uma vez alguém atirou para o lado errado.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Um elogio ao "nascer"


Há um tempo atrás pensava que qualquer um só nascesse uma vez para poder estar no mundo e Ser alguém autenticamente.

Mas nascer não significa estar no mundo, apesar de ainda assim estarmos todos “aqui”, de certa forma.

“Estar” está para além da simples presença.

Estar é, na minha mente, ter consciência-de-si e do além-de-si.

É enxergar que as coisas não são suficientes, é buscar ampliar os próprios limites, tentar continuamente alcançar o infinito.

Devemos nascer todos os dias das nossas vidas, incessantemente.

Não nascer-para-o-mundo, dessa forma, é também morrer a cada dia até chegar ao ponto da insignificância, que não é a mesma coisa do “nada”.

Afinal, do “nada” nada pode se falar. Enquanto que quem não nasce todo dia nada pode dizer.

Falar qualquer um fala...

Uma criança, um orangotango, um doidivanas...

Dizer, dizer de verdade, poucas pessoas fazem.

De volta


Depois de cinco meses distante... resolvi voltar...
Estava muito longe, perdida em algum lugar sem lembranças ou memórias...
Esqueci de tantas coisas, amores e objetos...
Lembrei da infância nesse meio tempo também
Voltei mais mulher e mais menina
Voltei me enganando também, as vezes acontece....
E se algo me resume é essa palavrinha pequena que temos no nosso idioma...
"saudade"
Voltei com saudades...
Como quem acabou de conheçer o amor de sua vida e teve que pegar as malas e voltar pra casa depois das férias de julho, onde o sol e o mar invadem o dia e a noite...


Sempre as saudades...