quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Bilhete deixado debaixo da sua porta ontem à noite...


Menino,

Sempre te achei um tanto dramático, nunca te disse que não. Sabíamos que nossa paixão foi uma invenção, inventamos justamente por saber desde sempre que ia ser bom e que sempre será. Criamos isso pra poder nos sentir mais vivos, depois de alguns anos de monotonia... a vida pede pra ressuscitar alguma emoção pueril da juventude. Eu sou capaz de inventar te amar outras vezes, o resto da vida, para sempre te amando, te querendo e isso nos torna eternos na nossa contingência. Não quero chore, não esperneie, sem dramas. Eu te peço!
Você não precisa ser tão dramático...

[pausa]

Me veio agora, eu já consigo entender o teu drama, teu drama também te faz mais vivo. [risos e gargalhadas].
Se é pra se sentir mais vivo, então faça! Chore, sinta minha falta, olhe pra sua estante, ouça suas musicas, leia seus e os meus livros, os que eu deixei na sua estante na última visita que te fiz. Escreva o que pensa de nós dois e do que não fomos ou não poderemos ser, daquilo que seremos.
Rasga o silêncio, berre! Me procure. Ache! Suma, vá embora, saia de casa. Vamos inventar outra vez a paixão que costumávamos sentir, juntos ou não. Essa é minha forma de fazer drama. Agora noto que eu também sei fazer drama! Chorando eu esnobo sua dor, suas mágoas. Não sei por quê... Para provar pra mim que sou maior que o mundo, talvez.

Ass: Eu...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Insônia - perturbação mental.


Numa hora dessas da madrugada posso confessar estar tomado de emoções fortes demais para que o sono me consuma, mesmo tendo acumulado horas de vigília. Estava ansioso em demasia, o suficiente para tomar vários copos d’água seguidos e tornar o caminho para o banheiro uma rotina quase imperceptível. As ideias não paravam de surgir e sumir. Me deito numa tentativa de aquietar a perturbação. Me era impossível compreender a origem de meus pensamentos, o que me deixa atordoado. Era o amor e o desapego, era o medo na coragem. Tão juntos e tão categoricamente definidos em minha mente racional. Na minha sobriedade eu saberia exatamente a rotina das coisas, o limiar que as separava dicotomicamente. Naquela hora eu não me reconhecia. Eu gritava por dentro.
Eu não tinha vivido o suficiente para aprender e tudo o que eu sabia se devia a um ‘dever-ser’ inventado por teorias que eu mesmo criava. [Criar teorias não é coisa de gente grande, de homem maduro – pensei...]
Vi uma clareira no meio da floresta, vi o tempo passar e o vento consumir a chama. Nada fazia mais sentido. Imagens, memórias, o dia, o batimento desacelerado, o silêncio. Consumido pela inspiração, pela sede... Finalmente dormi.


sábado, 8 de maio de 2010

Ainda não passou...mas vai passar.


Quanto mais eu tentava te segurar pelas mãos mais eu te sentia escapar.
Doía demais essa despedida, lenta e gradual..quase que letárgica, fatal.
As lágrimas quentes escorriam dos olhos, percorriam as faces e perfuravam o coração n’um ciclo doloroso.
Alguém tinha que ser corajoso para dizer adeus de verdade, sem ter que ser tão suave. Alguém tinha que fazer o duro papel de enterrar aquela história, que desde o principio estava fadada ao fracasso.
Doía imaginar o que poderia acontecer na ausência da presença.
Beijos que não foram, abraços que não existiam, mãos que não se encontraram.
Voltando atrás e nunca desejando ter existido, meu coração implorava para não lembrar e querendo esquecer dava cada vez mais cor ao impossível.
Se eu soubesse contar contos, mitos, lendas, piadas, qualquer coisa, teria tua sombra no enredo, no meio, no inicio e não haveria fim

quarta-feira, 17 de março de 2010

Coisa de criança


Uma vez me falaram que nada melhor do que se entregar como uma criança as coisas.
Crianças vão, dão a mão, se jogam do parapeito do muro no braço dos pais sem cogitar a possibilidade de uma queda, quiçá de uma dor. Nem por isso, crianças pensam com a razão, crianças se entregam as circunstâncias... Se vai doer, respondem com choro... Se doeu demais, fica a cicatriz e o ensinamento de não pular da próxima vez.
Alguns adultos que nunca pularam cogitam uma dor que não existe.
Não pulam, não conhecem a sensação do vento na cara, não conhecem a felicidade.